01.02.2016. Design para quem não é designer.

Design para quem não é designer: noções básicas de planejamento visual, escrito por Robin Williams e publicado em 1995 no Brasil, pela Editora Callis, é um livro voltado para quem não tem tempo ou vontade de estudar design e tipografia, mas deseja aprender a criar conteúdos com uma estética melhor. Como a própria autora lembra o livro não tem a pretensão de formar designers, porém através da apresentação dos conceitos básicos pode-se produzir trabalhos com uma aparência mais profissional, organizada, unificada e interessante.

O livro aborda os quatro princípios básicos do design:contraste (elementos similares em uma página), repetição(organização), alinhamento (aparência limpa) e proximidade(unidade visual). Com vários exemplos, à medida que o conteúdo vai desenrolando, a autora ensina ao leitor como trabalhar cada um dos princípios básicos do Design. Não basta conhecer a teoria se não é possível colocá-la em prática.

Cartões de visitas, capas de relatórios, convites, flyers, diagramação de jornais, revistas e livros estão entre os exemplos citados por Robin Williams. Por meio da explicação de Robin Williams, quem não é designer consegue entender porque alguns textos ficam alinhados de tal maneira e não de outra, quais são os elementos de repetição que deixam o material com a mesma cara, onde colocar fios, usar negrito, itálico, imagens, símbolos, títulos, subtítulos, textos. Através das dicas transmitidas no livro, aprende-se como deixar o conteúdo visual mais atraente, o que pode ajudar a despertar o interesse dos leitores, absorver as informações com mais facilidade e diferenciar um produto informativo de outro. A segunda parte do livro aborda a criação através da tipologia (tipos, letras), na qual o autor descreve como é possível conhecer os diferentes tipos de fontes, qual é a mais adequada para determinado material, como combinar mais de uma fonte, de forma a não atrapalhar a comunicação.

De acordo com Robin Williams a relação entre tipos pode ser: concordante (harmoniosa), conflitante(incômoda) e contrastante (visualmente interessante). Aprendendo a importância de combinar fontes, suas similaridades e variações, o leitor consegue evitar problemas na dinâmica dos elementos de uma página. A autora classifica as fontes em seis tipos: Estilo Antigo, Moderno, Serifa Grossa, Sem Serifa, Manuscrito e Decorativo, explicando como compreender os detalhes das letras e dos seus grupos ajuda na combinação dos tipos. Depois de entender os grupos de tipos, o livro auxilia com várias maneiras de contrastar os tipos a fim de deixar o material com um visual mais interessante e melhorar a comunicação.

Entre os contrastes abordados no livro estão: tamanho, peso (espessura dos traços), estrutura, forma (formato), direção (inclinação) e cor (cores quentes e cores frias). Robin Williams ajuda a transformar o leitor em alguém “visualmente consciente”, termo usado por ela, através dos resumos, desafios, exercícios e propondo processos utilizando cada uma das informações recebidas.

Com uma leitura leve e fácil, recomendo o livro para quem deseja aprender um pouco sobre o universo do design e colocar em prática, como acadêmicos dos cursos de Design, Comunicação Social (Jornalismo e Publicidade e Propaganda) e pessoas interessadas em criar produtos visuais com harmonia, sem se aprofundar no estudo do design, com praticidade. O livro é bem técnico e não traz muitas reflexões, como se fosse uma oficina rápida sobre design, criação de materiais visuais e os seus elementos.
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05.02.2016. Regulamentação da profissão de designer.

Foi aprovado no Senado, dia 30 de setembro, o projeto que regulamenta a profissão de designer. O Projeto de Lei da Câmara 24/2013, do ex-deputado Penna (PV-SP), determina que somente os titulares de curso superior, ou pessoas com experiência mínima de três anos até a data de publicação da lei, possam exercer a profissão de designer. O projeto agora segue para sanção presidencial.

Como agora está todo mundo falando a respeito, eu resolvi resgatar esse texto do Design Blog para discutirmos o assunto. Alguns são a favor, outros são contra. Vamos analisar os dois lados e entender definitivamente por que regulamentar a profissão é um assunto delicado.



Para quem ainda não sabe, a profissão de designer ainda não é regulamentada. Ou seja: qualquer um pode se chamar de “designer” (convenhamos, acontece muito!), mesmo sem ter feito sequer um curso de informática básica. Não existe um registro profissional de designer. Com isto, o governo (poder público municipal, estadual e federal) não pode contratar serviços de um profissional de design através de licitações ou concorrência pública. Além disto, nós não temos direito a garantias de trabalho por não contribuir com uma sociedade reguladora.

Um dos maiores problemas que temos atualmente é o de concorrer cara-a-cara com os chamados “micreiros” ou “sobrinhos“: pseudo-profissionais que não possuem conhecimento algum sobre design e focam-se inteiramente no uso de softwares, criando trabalhos duvidáveis a um preço muito abaixo do que um designer estudado cobraria. Esta lei acabaria com isto.

Resumindo: os designers que possuem diploma de graduação plena e/ou tecnológica, em cursos reconhecidos pelo MEC, os que comprovarem o exercício da profissão por pelo menos três anos até a publicação da Lei, ou os que possuem diplomas devidamente validados e reconhecidos no país, ainda que adquiridos em instituições estrangeiras, estarão protegidos.

Muitos estão argumentando que em outros países onde é regulamentado, o design não sofre. Outros dizem que sofre. Mas estamos no Brasil; a cultura aqui (como em qualquer outro país) é única. Não dá pra comparar, pois a mentalidade aqui é outra.

O que você acha? Devemos regulamentar a profissão? Sim? Não? Por quê?
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Mais. em Breve.